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“Acolhida”: o mural que abre uma nova porta

Date 20-05-2026

por ARSENAL DA ESPERANÇA

O mural “Acolhida”, do artista italiano Edoardo Ettorre, nasce por ocasião das celebrações dos 30 anos do Arsenal da Esperança, em São Paulo.

A obra é realizada graças à parceria com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, fortalecendo um diálogo cultural entre Itália e Brasil e reafirmando o papel da arte como linguagem capaz de atravessar fronteiras e aproximar histórias.

Mais do que uma intervenção artística, a obra se insere em um contexto profundamente humano e social, levando à cidade uma mensagem de acolhida a partir de um espaço que, todos os dias, abre suas portas para quem precisa recomeçar.

O muro escolhido para receber a obra fica nos fundos do Arsenal da Esperança, uma parede que não é visível para quem entra ou para quem já está no Arsenal. E essa escolha não é casual. É uma posição estratégica, porque a ideia é dialogar com cada passageiro que utiliza a Linha 10-Turquesa da CPTM, no trecho entre as estações Brás e Juventus-Mooca, e também com cada visitante que faz o passeio na Maria Fumaça, pelo caminho que historicamente ligava Santos a São Paulo. O local escolhido confere à obra uma presença simbólica potente, por combinar visibilidade e discrição.

“Queríamos criar uma obra capaz de se comunicar com um público que, mesmo passando todos os dias ao lado do Arsenal, ainda não conhece a instituição e o que dentro dela se realiza”, explica Pe. Simone Bernardi, missionário do Arsenal da Esperança.

O mural, com dimensões de 26m de largura por 8m de altura, representa um homem, em situação de vulnerabilidade, sentado no chão. À sua frente, vemos apenas o corpo de outra pessoa, em pé, estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar. O gesto, simples, mas carregado de significado, simboliza o trabalho cotidiano do Arsenal da Esperança: apoiar, erguer e reconstruir vidas.

Ao fundo, aparece o portão emblemático do Arsenal, ladeado por paredes rosas e brancas, referência imediata ao espaço físico da instituição e à sua história de acolhimento.

Foto: Edoardo Ettorre

A cena mantém a delicadeza característica de Edoardo Ettorre: gestos mínimos, expressões silenciosas e cores suaves que, mesmo em um espaço urbano pouco acessível, tornam-se poderosas ao transmitir cuidado, solidariedade e dignidade humana.

A pesquisa artística de Edoardo Ettorre se move entre realismo pictórico e uma dimensão quase suspensa no tempo, onde gestos mínimos e expressões delicadas tornam-se portadores de narrativas silenciosas. Em “Acolhida”, essa linguagem se transforma em metáfora visual para falar de cuidado, proteção e humanidade compartilhada.

“O papel da arte urbana também é transmitir mensagens fortes, especialmente de esperança. Em um contexto como este, isso se torna ainda mais significativo”, afirma Edoardo Ettorre.

O gesto representado na obra não é apenas um gesto físico, mas simbólico: acolher significa reconhecer o outro, criar espaço, oferecer dignidade.

Para desenvolver o trabalho, o artista visitou o Arsenal da Esperança e teve contato direto com os acolhidos, sendo dois deles os modelos para a obra. Além deles, um grupo de seis acolhidos do Arsenal da Esperança também ajudou voluntariamente o artista ao longo de todo o processo da pintura do mural.

“Envolver as pessoas do local onde vou pintar é sempre enriquecedor, especialmente em um contexto tão singular. É uma oportunidade de troca que dificilmente aconteceria em outras circunstâncias”, destaca o artista.

Mais do que um mural, esta obra traduz visualmente uma missão.

Por Giulia Lavinia Lupo e a Fraternidade da Esperança do SERMIG

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